Como Não Piorar o Karma do Bandido

 

“É muito interessante analisar os ensinamentos sobre karma considerando os fatores que fazem com que ele amadureça com mais força. Nos ensinamentos, existe uma lista de coisas que fazem com que as consequências de nossas ações sejam mais pesadas.

“Pesadas” é o termo literal. Um dos itens listados considera o sofrimento que as ações destrutivas infligem ao objeto da ação. Se causar muito sofrimento, as consequências são mais pesadas, e se não causar muito sofrimento, são mais leves. Normalmente, utiliza-se como exemplo a diferença entre torturar alguém até a morte ou matar rapidamente.

Se alguém quisesse nos executar ou matar em uma limpeza étnica, ficaríamos com muita raiva e, portanto, sofreríamos muito. Isso faria com que a consequência para o nosso assassino fosse muito mais pesada. Ao passo que, se ele simplesmente cortasse nossa cabeça, morreríamos rapidamente. E, se ficássemos aborrecidos e com raiva quando alguém nos roubasse, sofreríamos muito mais. Além disso, poderíamos planejar uma vingança e, com isso, sofrer ainda mais por causa das emoções destrutivas que geraríamos. Isso faria com que as consequências para a pessoa que tentou nos roubar fossem mais pesadas. Mas, e se ao invés de ficarmos com raiva, pensarmos na pessoa com compaixão? Nesse caso, poderíamos desejar que a consequência de sua ação fosse a mais leve possível. Por causa de nossa compaixão, a situação pode mudar, não só para nós, mas também para o outro.

Por isso é tão importante “esquecermos” quando alguém nos faz algo negativo. Por exemplo, pode ser que alguém nos empreste dinheiro e não pague. Existem situações em que a pessoa simplesmente não vai pagar. Nessas situações, simplesmente esqueça! Mas lembre-se que isso é bem diferente do conceito ocidental de perdão, que implica em um certo sentimento de superioridade, uma atitude do tipo “Está bem, vou perdoar esse pobre coitado”. A noção ocidental de perdão também está baseada no conceito de culpa, de que a outra pessoa é culpada mas nós a perdoamos. Além disso, identificamos a outra pessoa como “a culpada”, que nós, com toda nossa nobreza, perdoamos. Aqui, tendo como base o sentimento de compaixão, percebemos que, quanto mais raiva tivermos, e quanto mais chateados ficarmos, mais a outra pessoa irá sofrer. Por isso, e por queremos que ela seja feliz, procuramos não ficar com raiva e desejar ainda mais felicidade a ela.”

Trecho traduzido e editado. Original em studybuddhism.com/en/tibetan-buddhism/mind-training/commentaries-on-lojong-texts/commentary-on-37-bodhisattva-practices-dr-berzin/bodhichitta-and-bodhisattva-behavior

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